Escute um trecho da música dos créditos iniciais em desenvolvimento.
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| Ambiente de criação de Pedro Gaspa |
O desafio do processo de composição tem sido entender as nuances da proposta do filme sem ver as cenas gravadas. Esse processo tem sido trabalhado em conjunto com o diretor de som Ricardo Ponte e o diretor Rafael Lobo, envolvendo a discussão de influências musicais. Elas tiveram como base a atmosfera dos filmes do Lynch, tendendo ao denso, ao perturbado, mas com um toque de leveza. A questão da personalidade do Felizardo ser melodramático abriu portas para uma estética "barata", beirando o clichê.
O compositor Pedro Gaspa trabalha buscando trechos adaptáveis em gravações próprias antigas para trabalhar na construção das ideias, como foi o caso da música dos créditos iniciais que havia sido composta na marimba. Caso precise de algo novo, trabalha geralmente com violão para harmonias e flauta transversal para melodias. O processo criativo não deixa de ser um mistério, mas aproveitar os erros e tropeços é algo muito produtivo.
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| Sara Paracchini compõe a canção em sua casa. |
Sobre a canção
O que acontece na hora de criar a canção é um pouco como uma perda de memória. Escutar as referencias “lynchianas” imaginando o gosto e a cor, e depois esquecer todas as notas.
Na verdade, quem guia as mãos no teclado e a letra da melodia é Felizardo. Ele ficou impresso na textura da canção durante todo o processo que fez o sentido dos sons tomar uma forma: o roteiro no papel, nas palavras do diretor, nas notas dos músicos, na roupa dos figurinos e os quadrinhos dentro de tudo isso.
A segunda guia é uma luz azul escuro: o “Inferno”, e também a luz de mesa do quarto de Sara Paracchini. Essa luz leva os dedos a testar o Ré e o Fá do teclado todo e a tentar construir algo ao redor delas. O piano junto aos sons feitos de vocais distorcidos constroem o primeiro passo, com mais espaço para a variação e menos inocência em relação a primeira tentativa de compor a canção, buscando assim seguir as sugestões do diretor Rafael Lobo e do diretor de som Ricardo Ponte.


Linda canção, perfeita pra um filme com este título...
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